Materia Especial 2

Eis aqui uma opnião que diverge de muitos pensadores da Arquitetura Social e como somos uma página democrática mostramos todos os pensamentos e cabe a você concluir o seu raciocínio!

Perversa Arquitetura Social
(Marcus Eduardo de Oliveira, 2002-09-16)

A construção de uma sociedade amparada nos princípios da igualdade social e da justiça estendida a todos, de igual maneira, sem distinção de cor, sexo, faixa etária e/ou, principalmente posição financeira, certamente não é tarefa das mais fáceis. Historicamente, a desigualdade entre os seres sempre existiu e, seria utópico, para não dizer quimérico, afirmar que a desigualdade, por completo, um dia deixará de existir, ou de ser praticada. Conquanto, elimina-la por completo torna-se tarefa impossível, ao menos, pode-se atenuar sua existência.

Uma grande parte das sociedades (no sentido de Estados, Nações) do mundo de hoje, tentam diminuir o fosso existente que acaba por separar os mais ricos dos mais pobres. Algumas dessas nações, por meio de políticas públicas, usando o Estado como instrumento central desse processo promovem políticas conhecidas por welfare state* -, que, bem ou mal, conseguem atenuar as diferenças, estendendo aos mais necessitados verdadeiros programas de assistência social, amparando-os com, (p.ex.), um seguro-desemprego digno, com programas de moradia popular e alimentação barata, dentre tantos outros fartamente conhecidos.

Mas no Brasil, por conta de sermos o terceiro pior país em termos de distribuição de renda, e de sermos a segunda nação do mundo que mais concentra a propriedade da terra, em mãos de uma minoria, os índices sociais se configuram em uma "macabra arquitetura social". Nesse Brasil imenso e com tantos recursos e que, por isso, com todas as chances de construir uma sociedade ética, justa e menos desigual, tem cometido equívocos na condução da política econômica que colocam como prioridade primeira a incessante busca da riqueza, tentando tornar o país mais rico, relegando, a partir daí o combate a pobreza em segundo plano. Tal constatação perfaz em erro: nada contra a busca da riqueza , desde que, em primeiro plano, tome-se às necessárias medidas para erradicar a pobreza, a miséria e a exclusão. Antes de procurar enriquecer uma nação, é preciso desempobrecer sua população. Até mesmo porque, de nada adianta construir a riqueza, mantendo mais de 50 milhões de brasileiros na miséria. De tal modo não será criado um mercado consumidor de massa. Justamente para que a riqueza se mantenha e traga benefícios aos demais, faz-se necessário preparar um grande mercado consumidor. Caso contrário o modelo continuar a se repetir: ao buscar a riqueza mantendo o povo na pobreza, a renda se concentra, não se distribui e se cria uma sociedade apartada, dividida, a ponto de, um belo dia, explodir uma "revolução social".

Desde 1532, quando os primeiros portugueses aqui colocaram seus pés para colonizar essas terras, o "ideal" imaginado, proposto e executado pelas elites que governaram essa nação tem sido a busca, tão somente, da construção da riqueza. E o que resultou isso tudo: forte concentração da renda, sociedade altamente excluída, conflito social, surgimento de uma massa que vive sob "fogo cruzado": sem terra, sem teto, sem emprego, sem esperanças. Aos que chegaram até esse ponto do texto e que, porventura discordam desse posicionamento, convém fazer a seguinte pergunta: por que o Brasil consegue produzir e exportar avião ao mundo industrializado, mais não consegue produzir em quantidade suficiente alimento para todos. Ou alguém duvida que no Brasil do século XXI, ainda há muita gente passando fome?

Nossa indústria exporta calçados da melhor qualidade, mais nossos governantes não enxergam que muitos meninos e meninas de rua continuam a pisar descalços. Nossa cirurgia plástica é uma das melhores do mundo, parte de nossa elite, "torra" fortunas na tentativa de buscar uma estética perfeita, mas o governo não consegue dar uma vida melhor aos que, depois de tanto trabalharem e produzirem para esse país, carregam as marcas das rugas na face e são humilhados nas filas da previdência atrás de migalhas concedidas em forma de aposentadoria. Sem emprego pela ineficácia do governo em canalizar recursos para os necessários investimentos, parcela significativa de nossa juventude opta pelo caminho mais fácil na dura realidade em "ganhar o pão" de uma maneira perigosa e ilícita: entrega-se ao serviço de "mula", ou de "aviãozinho", no submundo do tráfico de entorpecentes. A expectativa de vida dessa juventude comprometida com esse submundo, não passa dos 35 anos. É triste verificar que mais de sessenta por cento dos presidiários brasileiros tem entre 18 e 30 anos. São jovens que, atrás das grades, estão desperdiçando suas vidas, quando poderiam estar ajudando a construir um país mais justo. Isso é fruto de um modelo econômico perverso, que concentra a renda em mãos de uma minoria, não permitindo que essa renda circule, se distribua a fim de criar um grande mercado interno de consumo.

Esse modelo econômico perverso, acaba por construir essa "perversa arquitetura social" segregando ricos e modernos de um lado, e pobres e arcaicos de outro. Dividindo a sociedade em dois e criando entre seus pares um distanciamento cada vez maior pelo fato de serem desiguais, "diferentes". Dentro desse quadro perverso então, a partir do descuido por parte do poder governamental para com as crianças e os jovens, cria-se uma elite que começa a tratar de forma diferente os pobres, vendo-os, além de seres "desiguais", também "inferiores". Uma das provas disso: basta lembrar o triste episódio acontecido poucos anos atrás, quando o país ficou perplexo ao saber que cinco jovens brasilienses, pertencentes à elite local, atearem fogo a um índio que dormia num ponto de ônibus. A que ponto chegamos

http://www.economiabr.net/colunas/oliveira/05arquitetura.html

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(MANACÁ - Tarsila do Amaral)

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